Aprendizados da Advocacia - Parte 1
Durante minha caminhada na advocacia de quinze anos aprendi algumas coisas e uma das minhas missões de vida é compartilhar mais o conhecimento adquirido, inclusive nesta área e inspirado por posts parecidos resolvi compartilhar também com vocês…
A sua reputação conta
A sua reputação conta muito e faz parte da comunicação implícita da sua vida e vai te acompanhar independente da sua vontade.
Imediatamente você pode lembrar da reputação para os cliente, que talvez seja a mais sensível e evidente. Mas não se trata somente disso. A reputação possui uma abrangência muito maior.
Além dos clientes, a reputação é importante para seus colegas. Para os juízes e serventuários da Justiça, na verdade para todas as pessoas que você convive.
O estudante pode ainda não saber, mas seus comportamentos na faculdade terão repercussão de como este profissional será visto no futuro, o que pode abrir ou fechar portas para ele.
Um advogado, digamos, aventureiro, que exagera nos seus pedidos e pede sempre mais do que deve já é mal visto pelos juízes e mesmo que ele venha a cria uma tese interessante, terá uma probabilidade menor de ganho do que um advogado mais conservador e consistente.
Não se esqueça que o juízes e serventuários são seres humanos que possuem memória e registro dos profissionais com quem eles trabalham.
Finalmente, a advocacia é uma profissão de comunicação explícita e implícita e extremamente exposta, então cuidado com todas as suações.
Tudo que você fizer e colocar no papel será lido e conferido por muitas pessoas, então sempre tenha um comportamento consistente e sério na sua atuação profissional para manter sua reputação.
Escute, mas tome a sua decisão e responsabilidade sobre ela
Muitas vezes somos tentados a buscar ajuda de um profissional mais experiente no assunto, o que pode nos dar insights e dicas valiosas do caminho a ser traçado processualmente.
Porém, não leve esses conselhos a ferro e fogo. Talvez a dica do outro profissional seja superficial e te leve para um caminho errado, afinal, ele não dedicou o mesmo tempo que você para entender todo o contexto da situação.
Não mais de uma vez fui aconselhado a deixar determinado processo ou recurso para lá ou que aquela ação ‘não daria em nada’, a situação já havia se consolidado mesmo…
Mesmo assim acabei buscando o direito do cliente e conseguindo reverter a situação ou obtido sucesso em uma causa que parecia impossível.
Assim, escute, entenda, busque outras perspectivas, porém, a decisão final precisa ser sua e você precisará assumir total responsabilidade sobre isso.
Não indefira o processo antes do juiz
Um dos comportamentos mais prejudiciais para o advogado é de não acreditar na causa do seu cliente.
Por causa de um pequeno problema ele “indefere” o processo na sua mente e pronto: a questão está sacramentada. Ele não consegue ir além daquela barreira, ele não consegue contornar a situação e nem ter energia para lutar.
O advogado indeferidor não vai assumir a causa ou vai fazer um processo capenga e fraco, que inevitavelmente será indeferido, porque se nem o advogado acredita no seu cliente, então, quem acreditará?
Assim, não indefira seu processo antes mesmo do juiz. Lembre-se que até mesmo você pode estar deixando passar alguma informação relevante. Leia, releia, busque mais um pouco e tenha fé, quem sabe o juiz não terá outra visão sobre a causa ou ele achará um ponto que você deixou passar.
Mas também não seja um advogado maluco que entra com absolutamente todas as causas. Com o tempo você vai ganhando discernimento para entender a situação com mais clareza.
Aprofunde no conhecimento complexso
Muitos advogados só querem o “mamão com açucar”, querem trabalhar com a causa fácil, redonda, sem problema algum e se limitam a esses casos e não se aprofundam no conhecimento jurídico e na complexidade destas situações (talvez seja um reflexo do item anterior).
E assim, vão deixando causas de lado. Porque o cliente fez tudo errado, ou algum outro advogado atuou de uma forma incorreta. Não se dão ao trabalho de olhar para a situação e sequer pensam numa saída.
Assim, não tenha preguiça de analisar situações complexas, coloque a mão da massa e mergulhe de cabeça, quebre o problema em pequenas partes. É assim que você vai aprender a lidar com qualquer causa e com qualquer complexidade.
Extra: Estude sem um objetivo definido para causa: Reserve um tempo semanal para estudar o direito sem estar especificamente voltado a uma solução de problema, somente estude para realmente aprender o direito abstratamente, essa ferramenta irá te proporcionar uma visão de solução de problemas muito maior.
Não se dê por vencido
Por mais difícil que seja, por mais porrada que você leve. Não se dê por vencido. Com o tempo você vai ficando mais calejado e com mais força para lutar.
Processos são uma verdadeira corrida de obstáculos, você vai se deparar com muitas forças antagônicas no seu caminho e vai precisar de muita força para seguir sua jornada.
A vezes você se sentirá impotente e fraco diante das arbitrariedades e dos absurdos e sentirá que seus esforços serão em vão. Mas isso não pode afetar seu trabalho. Por mais difícil que seja você precisa buscar o direito dos seus clientes e esgotar todas as possibilidades viáveis.
O Direito não se constrói de outra forma, é preciso ter garra e lutar para conseguir fazer valer aquilo que você acredita.
Nem todos seguem um ideal de Justiça
Muito tempo atrás quando eu ainda era um jovem advogado e acreditava no Judiciário eu liguei para uma juíza informando que eu iria peticionar em um determinado processo porque havia aparecido uma parte interessada o acordo formalizado não poderia ser homologado, pedindo alguns dias para eu poder protocolar aquela importante informação.
Qual foi o resultado?
No outro dia veriquei a movimentação processual de homologação de acordo.
As pessoas são movidas pelo seu interesse pessoal. Sabe-se lá quanto tempo aquele processo estava tramitando com aquela juíza e o que ela passou. Tudo que ela queria era se livrar do problema e não ajudar a parte que saíria prejudicada com toda aquela situação.
Então aprenda a interpetar o ser humano em todas as situações.
Parte 2
Esse é o fim da parte um, em breve apresentarei a parte 2…