Breaking Home Ties: dois quadros, a mesma história
Alguns dias atrás eu vi um post no Instagram sobre o quadro Breaking Home Ties, de Norman Rockwell, que foi leiloado por um valor estratosférico — US$ 15,4 milhões, na Sotheby’s, em 2006. Mas a história de fundo era sobre o proprietário original, o cartunista Don Trachte, que tinha forjado uma cópia da pintura e ficado com o original, escondido atrás de uma parede falsa no seu estúdio, de tanto que ele gostava do quadro. Os filhos só descobriram depois que ele morreu.
Esse é um quadro extraordinário, que mostra o momento de ruptura da família: o jovem indo para a cidade, arrumado, e o pai de outra formação, outra geração, duro, de mãos grossas, simples, mas que conseguiu um futuro melhor para o seu filho. Os dois sentados no estribo da caminhonete, esperando o trem; o filho olhando para frente, o pai olhando para o lado, segurando os dois chapéus.
Pesquisando, encontrei um outro quadro com o mesmo nome, de muitos anos antes: Breaking Home Ties, de Thomas Hovenden, de 1890, que hoje está no Museu de Arte da Filadélfia e foi eleito o quadro mais popular da Exposição Universal de Chicago de 1893. A ideia é a mesma, a diferença é que no quadro de Hovenden a despedida acontece dentro de casa, com a família inteira em volta, e quem está no centro é a mãe, segurando o filho antes de ele partir. Era a época em que as pequenas fazendas familiares começavam a desaparecer e os filhos precisavam deixar a terra para ganhar a vida na cidade. Sessenta anos depois, em Rockwell, a cena já saiu de casa: é só o pai e o filho, em silêncio, na beira da estrada.
Isso tudo me fez pensar: qual é o rompimento hoje? Qual é o momento de virada? Será que ele ainda existe, ou será que os pais e filhos já se distanciam naturalmente com o passar dos anos… sem contato, sem conversa e sem diálogo?
Quanto tempo a gente passava em família e quanto tempo passamos hoje?